Quando o mercado começou a falar de internet das coisas, passava na mente de muita gente ideias como: “Que legal que vai ser quando minha cafeteira se conectar com meu relógio de pulso e começar a preparar o café no momento em que eu levantar da cama!”.  A possibilidade de interação com as “coisas” ao nosso redor através da internet nos fazia viajar em ideia mirabolantes e praticamente inúteis. Na empresa que eu trabalhava 10 anos atrás, costumávamos brincar dizendo que até nosso sapato teria um endereço IP (IPV6, claro).

Apesar desse conceito ainda estar em fase embrionária, é muito claro o impacto que poderá trazer em nossas vidas nos próximos anos. Fazendo um paralelo com a internet, alguns especialistas acreditam que IoT é a próxima tecnologia disruptiva e que até 2020 teremos cem bilhões de “coisas” conectadas à internet.

As empresas estão começando a entender todo seu potencial e isso tem causando uma histeria entre as empresas de tecnologia. É possível vislumbrar a aplicabilidade de IoT em diversos segmentos, como saúde, indústria e cidades inteligentes. Pense nas possibilidades ao conectar sensores à sistemas de notificação de emergência, monitorando a pressão arterial e a frequência cardíaca em tempo real. Médicos poderão monitorar a saúde de seus pacientes através de seus celulares, atuando proativamente para salvar a vida de uma pessoa.

Já no campo de cidades inteligentes, podemos ter iniciativas em melhoria da qualidade da água e do ar, redução de poluição sonora, eficiência do transporte e sistema de gerenciamento de tráfego. É possível ter toda uma cidade rodando em plena sintonia!

Existe um vasto campo a ser explorado quando falamos em aplicar IoT aos negócios. Ao se conectar sensores a equipamentos, estes se tornam objetos inteligentes, podendo capturar informações de contexto, ajudando empresas, em tempo real, a ganhar eficiência, melhorar a comunicação, reduzir custos e aumentar a satisfação dos clientes. A gestão da cadeia de suprimentos é uma das principais áreas que pode se beneficiar com a IoT.

Fica claro que ainda estamos tentando entender todo o potencial da IoT quando procuramos uma definição para o que realmente é a Internet das Coisas. Uma definição rasa de IoT poderia ser algo como: Objetos interconectados, trocando informações entre si. Será que IoT é realmente sobre minha cafeteira conectada à internet? Será que é sobre meu ar-condicionado ligar toda vez que chego em casa? Se for, como isso poderá trazer tanto impacto para nossas vidas, mudando a forma que fazemos negócios e cuidamos da nossa saúde? Uma definição que aprofunda um palmo seria: Objetos inteligentes interconectados, trocando informações entre si e humanos.

A interconexão dos equipamentos é apenas a primeira página do livro. Para que IoT tenha um impacto realmente significativo em nossas vidas é preciso considerar que as “coisas” irão gerar dados frios e desestruturados. A mágica mesmo está nas tecnologias de BigData e, principalmente, Machine Learning. São essas tecnologias que vão transformar dados dos sensores em informações valiosas, que poderão alavancar o negócio de uma empresa, melhorar o dia-a-dia na sua cidade, ou até mesmo salvar vidas.

Uma definição da qual gostei bastante é: IoT é sobre o impacto que dispositivos conectados podem ter em nossos negócios, nossa vida e nossa sociedade. Essa definição é de John Rossman, autor do livro The Amazon Way on IoT.

Precisamos começar a experimentar essas tecnologias e entender de que forma podemos aplica-las em nossos negócios. Do mesmo modo que aconteceu com a internet, e-commerce e cloud computing, quem sair na frente vai ter muita vantagem.

Dias atrás eu me deparei com um gráfico mostrando que, apesar do Brasil ser um país de empreendedores, quase não geramos inovação. Ficou claro que nossas empresas não investem o que deveriam em pesquisa e desenvolvimento, muitas vezes apenas replicando modelos e produtos vindos de fora. Tratando-se de IoT, tudo, desde equipamentos até soluções robustas de cloud computing, possuem um bem acessível. Isso pode ser um grande impulsionador para que comecemos a mudar este cenário e desenvolver soluções realmente inovadoras. Quem bom seria se um de nós redefinisse o significado de IoT!

 

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