SONY DSC

Um bom livro que li recentemente foi “O Ponto da Virada”, de Malcolm Gladwell. Neste livro o autor fala de como grandes mudanças se iniciam à partir de coisas aparentemente sem muita importância que, em determinado momento, desencadeiam eventos transformadores.

O que mais me marcou neste livro foi quando ele abordou a Teoria das Janelas Quebradas, que foi publicada por dois criminologistas no início da década de 80. A teoria deles diz que se uma única janela de um prédio está quebrada e não é consertada, quem passa por ali conclui que ninguém se importa com aquilo e que não há ninguém no controle. Em breve, outras janelas aparecerão quebradas, e a sensação de anarquia se espalhará do prédio para a rua, enviando a mensagem de que naquela região vale tudo – não existem regras ou punições. Em pouco tempo o visual de todo o bairro poderá estar transformado, com pichações, lixo nas ruas e pequenos crimes ocorrendo em plena luz do dia. Por sua vez, este cenário de total descaso e impunidade poderá levar a crimes mais graves, como assassinatos.

Isso me chamou muito a atenção pois, em menor escala, acontece diariamente conosco em muitos aspectos.

Avaliando em nível pessoal:

  • Se ao chegar em casa no fim do dia encontro minha roupa do dia anterior jogada no canto do quarto, eu não vou ter disposição para guardar a roupa que usei hoje. O canto da bagunça só vai aumentar até que aquilo fique insustentável (ou eu não tenha mais roupas limpas para vestir).
  • Se após o jantar a louça do almoço ainda estiver suja em cima da pia a tendência será de eu deixar acumular mais um pouco.
  • Se vejo que o quintal da casa está uma bagunça eu não vou ter disposição para manter a sala arrumada.
  • Se o muro da minha casa está pichado então não vou me preocupar tanto em consertar aquele pequeno vazamento no banheiro.
  • Se eu não mandar arrumar aquela pequena batida do carro logo que acontece então em pouco tempo o carro inteiro estará um cacareco e bastante depreciado.

Agora aplicando para o mundo corporativo:

  • Se no escritório as mesas dos meus colegas estão sempre bagunçadas, será que vou me sentir motivado a manter minha mesa organizada? Trabalhando em um ambiente desorganizado, como será que isso refletirá nas minhas entregas?
  • Se eu percebo que a empresa não se preocupa em prestar um serviço de qualidade, será que vou me sentir motivado a dar o meu melhor?
  • Se as entregas dos meus pares não tem a qualidade que poderiam ter, será que vou me esforçar para fazer meu trabalho da melhor maneira possível?
  • Se um colega de trabalho tem o costume de reclamar de tudo (isso tem em todo lugar!) como será que isso vai influenciar minha motivação? E se em pouco tempo mais pessoas ao meu redor também pegarem o costume de falar mal da empresa, dos processos e dos líderes, será que vou conseguir me manter motivado neste meio?

Isso é a teoria das janelas quebradas aplicada na vida! Nós somos enormemente influenciados pelo que está ao nosso redor – tanto na vida pessoal como na profissional.

A conclusão que cheguei, e que também é a conclusão da teoria dos dois criminalistas citados anteriormente, é de que devemos cortar o mal pela raiz atuando nas pequenas coisas, nos pequenos detalhes, para que algo aparentemente insignificante não ganhe proporções maiores e cause um estrago enorme.

  • Se eu tiver o costume de guardar minhas roupas eu vou sempre estar motivado a manter o quarto organizado.
  • Se eu manter meu carro limpo vou me sentir motivado a cuidar melhor da manutenção dele.
  • Se minha mesa de trabalho estiver organizada vou ter mais disposição para trabalhar de forma mais organizada.
  • Se eu não participar de conversas mesquinhas e desanimadoras vou conseguir manter minha motivação alta e dar meu melhor.

Atue rápido para corrigir pequenas situações que poderão impactar significativamente sua vida!

Deixe uma resposta